Texto: Dayane Baía (Secom) / Fotos: Marcelo Seabra (Ag. Pará)

Nesta quinta-feira (19), a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas (Sedop) deu continuidade às ações de desobstrução de canais e bueiros para liberar o fluxo das águas pluviais em vários pontos de Belém. A medida segue as diretrizes estabelecidas no decreto de situação de emergência para os municípios da região metropolitana, assinado pelo governador Helder Barbalho no último dia 16. O serviço mobiliza quase 900 profissionais e tem a aprovação da população.

“Estamos em várias frentes, distribuindo o serviço de limpeza e dragagem dos canais pelas bacias do Tucunduba, Una, Murutucu e Estrada Nova. Você percebe que, pela quantidade de material jogado nos canais, esse trabalho surte efeito gradativamente e a água passa a fluir melhor” explica Gilmar Mota, coordenador de Saneamento da Sedop. 

Os materiais a que Gilmar se refere são entulhos, lixo eletrônico, móveis velhos, sofás, carcaças de geladeiras e outros eletrodomésticos possivelmente danificados nos alagamentos que castigaram a comunidade nas últimas semanas. “Isso pode ser descartado de outra maneira e, não, jogado no canal. Para isso existe o serviço de recolhimento de entulho do município. Se a população adotar as medidas certas, ela mesma vai ser beneficiada depois. Pelos próximos 45 dias, o governo estadual prosseguirá com as ações para diminuir a incidência de alagamento no período chuvoso”, informou o coordenador.

A rua onde mora a doméstica Kelly Alessandra Maia foi uma das muitas que ficaram alagadas. “O pessoal culpa o governo, mas a população joga lixo na beira do canal. Isso prejudica muita gente, como aquelas pessoas que perderam seus bens materiais nos alagamentos. O meu neto é criança e tinha que meter o pé na água para ir à escola, com risco de pegar doença de rato. Eu acho que a população tem que ter mais higiene”, defendeu Kelly.

A ação do governo chegou à porta da casa da doceira Clailde Chaves, que em agradecimento preparou uma jarra de suco para os trabalhadores. “É o mínimo que posso fazer. Eles estão trabalhando no canal, fazendo a limpeza na rua onde a gente mora. É maravilhoso. Na minha opinião, não custa nada retribuir com uma gentileza”, argumentou da dona de casa. 

Clailde mora há 20 anos na área e diz que o lixo dificulta até o acesso de táxis ou carros de aplicativo à rua, pois é comum os motoristas dispensarem as corridas. “Eu amo a limpeza, sempre que posso limpo a beira do canal, junto lixo do meio da rua. É um dever de todos não jogar lixo e nem entulho nos canais, além de fazer a limpeza diária de suas calçadas”, opinou.

O motorista José Maria da Rocha conta da insatisfação que sentia ao passar pelo canal da rua dos Mundurucus e fez o seu desabafo: “A própria população faz descaso da limpeza, jogando lixo na vala. Isso não é culpa do governo, não. Aí quando acontece as enchentes culpam os órgãos públicos. O governo está fazendo a parte dele e a população tem que fazer a dela. Eles pensam que a rua é uma lixeira, aí quando alaga tudo a sujeira vai pra dentro da casa deles”.

Veja Também